O Galo de Barcelo, símbolo nacional graças ao salazarismo

viernes 06 enero 2017

     Não há nada mais português e que melhor represente Portugal que o Galo de Barcelos. Seja a típica figura do galo, preto de crista vermelha e decorado com corações e flores coloridas, seja o seu desenho estampado em todo o tipo de souvenirs, é a imagem de marca de Portugal por esse mundo fora.

                         

     Ora conta a lenda, na época medieval, não se sabem em que ano, os habitantes de Barcelos andavam alarmadas por um crime cujo autor ainda não tinha sido descuberto.

     Um dia passou por ali um galego que logo se tornou suspeito do crime e que foi preso pelas autoridades. O galego jurava estar inocente e estar apenas de passagem, em peregrinação a Santiago de Compostela, percorrendo o Caminho Português, em cumprimento de uma promessa.

    De pouco serviram os seus juramentos, sendo condenado à forca. No entanto, o homem pediu que, antes de ser enforcado, o levasse à presença do juiz que o tinha condenado.

     Levaram-no então à residência do juiz, que celebrava um banquete com alguns amigos. O galego jurou novamente estar inocente e, apontando para um galo assado que se encontrava sobre a mesa, exclamou:

     É tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem”.

     O juiz ignorou-o. Quando o galego estava a ser enforcado, o galo assado ergueu-se e começou a cantar.

    Nesse momento o juiz entendeu que tinha cometido um erro e correu para a forca, onde o galego se salvara por um nó mal feito, sendo imediatamento posto em liberdade, podendo continuar a sua peregrinação.

    Anos mais tarde regressou a Barcelo para esculpir o Monumento do Senhor do Galo, em louvor à Virgem Maria e a Santiago. O monumento é um cruzeiro de pedra, com imagem de Santiago a salvar um enforcado.


     
Mas a figura do galo de Barcelos só apartir dos anos 30 do século XX é que começou a ser representativa da identidade portuguesa.
                       
      Ao que tudo indica o primeiro galo foi criado em 1925. Dois anos depois, em 1927, começaram a ser vendidas nas feiras da zona de Barcelos umas figuras de galos, de cor vermelha, sem lhes ser dada grande importância pela população da zona e sendo inclusivamente desconhecidas no resto do país.

      António Ferro, director do Secretariado da Propaganda Nacional (SPN) do Estado Novo, decidiu oferecer aos congressistas participantes no V Congresso Internacional da Crítica, realizado em Portugal em 1931, uma peça de arte popular como lembrança.

   Conhecendo a estima que os barcelenses tinham pela lenda do galo, encarregou o realizador Leitão de Barros de criar as figuras do galo de Barcelos, para oferecer aos congressistas.

    Assim, Leitão de Barros, com a ajuda do pintor-artesão Gonçalves Torres, fizeram algumas alterações na figura do galo. Primeiro começou por ser pintado de branco, preto e amarelo. Depois, Gonçalves de Torres estilizou a cauda e a crista e aplicou-lhe cores mais chamativas. Estava criada a figura do galo de Barcelos, que foi entregue aos congressista, que adoraram a surpresa e divulgaram a figura.

     No entanto só em 1940, com a realização da Exposição do Mundo Português em Lisboa, é que o Galo de Barcelos seria elevado à condição de símbolo de Portugal, ao ser exposto num lugar de destaque no pavilhão dedicado à vida regional.

      Estava criado um símbolo nacional que dura até aos nossos dias.





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